Entendendo a Identidade Sexual



A sexualidade é influenciada pelas normas de gênero. As expectativas sociais ligadas ao gênero influenciam a maneira como homens e mulheres se comportam e isso inclui suas atitudes, sentimentos e essencialmente seu comportamento afetivossexual. Essas expectativas tendem a se basear no pressuposto de que existem duas categorias de pessoas, homens e mulheres, e que elas se comportam de maneira diferente com base em seu sexo biológico.

Você é um homem ou uma mulher?

Até recentemente, a maioria das pessoas teria encontrado uma resposta simples para essa pergunta. Você teria sido capaz de dar uma resposta definitiva de uma forma ou de outra, e provavelmente teria apelado para o seu tipo de corpo e biologia para explicá-lo. Você pode ter mencionado seus genitais, ou se isso pareceu um pouco indelicado, fez referência aos cromossomos que as pessoas com esses genitais geralmente possuem.


A menos que você tenha vivido em uma caverna nos últimos anos, você estará ciente de que a questão agora é considerada significativamente mais complicada do que isso. Não podemos mais supor que as pessoas com conjuntos particulares de configurações genitais sejam homens ou mulheres, e nem devemos definir essas categorias de gênero por referência à biologia e à função reprodutiva.


A razão pela qual essa questão é agora considerada muito mais complexa do que poderíamos pensar inicialmente não se deve ao fato de que, devido a certas condições cromossômicas ou hormonais, nem todos os indivíduos podem ser facilmente categorizados como biologicamente masculinos ou femininos. A justificativa real para questionar nosso entendimento tradicional sobre a identidade sexual de homens e mulheres tem pouco a ver com a existência de pessoas intersexuais e mais com o recente aumento no número de pessoas que são biologicamente inequivocamente de um sexo, mas identificam como o oposto.


A identidade sexual existe em um amplo espectro. Há muitas maneiras pelas quais os indivíduos expressam e descrevem suas atrações românticas, físicas e/ou emocionais para outras pessoas, porém todos são únicos na forma como experimentam (ou não sentem) essa atração. Assim, alguns indivíduos, apesar de possuírem a biologia masculina, por exemplo, têm um senso subjetivo profundo de si mesmos como mulheres. Alguns podem optar por passar por uma transição médica para tornar seus corpos mais parecidos com os corpos femininos, mas alguns não. Algumas pessoas podem continuar a se vestir e se apresentar de maneira estereotipicamente masculina - até mesmo mantendo os pelos faciais - enquanto afirmam possuir a identidade de gênero de “mulher”. O mesmo vale para as mulheres.


Para ajudá-l@s – o símbolo “arroba” (@) expressa a neutralidade de gêneros em relação à ortografia – a compreender melhor a identidade sexual dentro do contexto do sexo biológico, identidade de gênero, orientação sexual e papel sexual, elaboramos uma sequência de perguntas e respostas sobre cada uma dessas questões e esperamos poder contribuir para um melhor entendimento sobre esse importante aspecto da sexualidade.

O desconhecimento sobre a abrangência do real significado de sexualidade e a errônea concepção de que sexo a ele se insere como contexto de um mesmo aspecto, em relação as questões ligadas ao ato sexual puramente físico, fazem com que a abordagem sobre a sexualidade esteja envolta nos mesmos mitos, tabus e preconceitos existentes, ainda hoje, em relação ao sexo, com seus desdobramentos devastadores sobre as questões de gênero.


“Para transformar uma sociedade é nos transformarmos. É transformar, também, a sociedade que está dentro de nós” (Ronaldo Pamplona)



1. O que é identidade sexual?


R- Identidade sexual é o sexo biológico determinado pelas características físicas que diferenciam homens e mulheres.


2. O que é identidade de gênero?


R- Identidade de gênero é a sensação que a pessoa tem em pertencer ao gênero masculino ou feminino. É a forma com que a pessoa se percebe e se identifica.


3. Como podemos classificar a orientação sexual? Quais suas subdivisões? Poderia explicar um pouco de cada?


R- Orientação sexual, ou melhor definindo, orientação afetivossexual diz respeito à sensação interna de que temos a capacidade para nos relacionarmos amorosa e sexualmente com alguém. Dessa forma e dependendo do gênero (masculino ou feminino) por quem desenvolvemos essa atração e laços afetivos, podemos subdividir a orientação afetivossexual em:


Heterossexual – Quando a atração e laços afetivos está voltada para alguém de outro gênero;

Homossexual – Quando a atração e laços afetivos está voltada para alguém do mesmo gênero;

Bissexual – É a atração afetivossexual voltada para ambos os gêneros e,

Assexual – Quando não existe atração afetivossexual por nenhum gênero.


4. Por que ela se confunde com orientação sexual?


R- Elas se confundem porque o termo “Orientação” também está relacionado a uma percepção interna e que faz parte do nosso psiquismo, mas esses termos definem aspectos bem distintos, isso porque a orientação sexual diz respeito a atração afetivossexual por um gênero enquanto a identidade de gênero está relacionada à sensação de pertencer a um gênero, masculino ou feminino. Para um melhor entendimento podemos dizer que a identidade de gênero é a forma com que você se percebe e se vê, masculino ou feminino e a orientação sexual é por quem seu coração bate mais forte, por quem você sente atração.


5. Quando as crianças desenvolvem sua orientação sexual?


R- As pesquisas científicas atuais consideram que a orientação sexual é construída, psicologicamente já na primeira infância. Outras apontam para a possibilidade de ser inata, mas que somente na adolescência passamos a perceber esses sentimentos. No entanto, ao tratar do tema orientação sexual, deve-se buscar considerar a sexualidade como algo inerente à vida e à saúde, que se expressa no ser humano, do nascimento até a morte.


6. Quando elas se “descobrem” transgêneras? Há uma idade certa?


R- A identificação com o sexo oposto, segundo uma pesquisa de relatos de histórias de crianças Trans – “Meu Eu Secreto”, e o eventual desejo em assumir uma nova identidade de gênero começa geralmente já na primeira infância e se manifesta através das preferências por coisas e objetos como cores, brinquedos, vestimentas e também assumindo comportamentos do sexo oposto.


7. Como explicar de maneira clara e em poucas palavras a transexualidade?


R- A transexualidade está inserida no conceito de transgênero e, de uma forma bem simplificada, podemos dizer que a transexualidade é a condição em que uma pessoa se identifica como sendo do gênero oposto ao sexo refletido pelo corpo. A convicção de que está no corpo errado lhe traz desconforto com o sexo biológico e essa percepção íntima a leva a buscar orientação médica para realização da mudança de sexo.

É comum ouvirmos o termo “Homem trans” e “Mulher trans” O termo “Homem trans” refere-se a um homem que está na transição de mulher para homem, e mulher trans refere-se a uma mulher que está na transição de homem para mulher.


8. O cérebro é o responsável por essa determinação? Homem/mulher? Como é feita essa determinação?


R- A determinação Homem/Mulher é resultado das características cromossômicas estabelecidas na fecundação e que no decorrer da gestação serão definidos os aspectos fisiológicos que diferenciam homens e mulheres. Segundo o Dr. Ronaldo Pamplona, Médico e Psiquiatra, são recentes as pesquisas médicas e estudos sobre o cérebro humano. Segundo ele até 1990 não existiam meios de estudar o órgão porque não havia aparelhos. Hoje em dia há aparelhos de todo tipo para entender o cérebro em funcionamento.


Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, a sexualidade humana forma parte integral da personalidade de cada um, sendo uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado dos demais aspectos da vida. Nesse contexto, o ser humano deve ser visto dentro de um contexto biopsicossocial e não apenas por suas características físicas.


9. O órgão sexual tem alguma relação com a determinação ou é mais pela identificação da pessoa? Pode explicar um pouco essa questão?


R- Os órgãos sexuais dizem respeito à identidade sexual e fazem parte da estrutura física determinada cromossomicamente na fecundação e desenvolvidos ao longo da gestação. De outra forma, a identidade de gênero e a orientação afetivossexual são determinantes inatos que se manifestam e se desenvolvem ao longo da vida e onde predominam a interação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.


10. O meio em que se vive pode ter alguma interferência nessa determinação?


R- O meio não é fator determinante. Podemos dizer que não há qualquer evidência de que o ambiente social influencie diretamente nessa determinação. Identidade de gênero e orientação afetivossexual não é uma questão de opção individual susceptível de influência social, como muitos gostariam que fosse. A sexualidade humana se desenvolve dentro de um contexto biopsicossocial onde os aspectos sociais também estão inseridos.


11. A homossexualidade pode ter a ver com a genética?


R- Nas últimas décadas a ciência acumulou evidências suficientes para afirmar que a homossexualidade está longe de ser mera questão de escolha pessoal ou estilo de vida. No entanto, com o desenvolvimento da genética, busca-se gene para tudo e a sexualidade humana não poderia ficar de fora. No entanto, por mais que se busque justificativas genéticas para o comportamento humano, é importante nos conscientizarmos de que cada indivíduo é um experimento único da natureza, resultado da interação de uma arquitetura de circuitos neuronais geneticamente herdada e a experiência de vida onde estão presentes fatores psicológicos e sociais.


12. O que seria a determinação cisgênero? Quais são as necessidades dessa pessoa?


R- O conceito de cisgênero está relacionado à identidade de gênero, estando está em alinhamento com a identidade sexual. Significa dizer que uma pessoa, biologicamente definida como homem ou mulher, se percebe pertencer ao gênero masculino ou feminino, respectivamente. Um exemplo simplório para ilustrar a determinação cisgênero seria dizer que uma pessoa está “alinhada” dentro de seu corpo e de seu gênero e suas necessidades são percebidas e tratadas socialmente como tal. É importante esclarecer que aqui não estamos considerando os aspectos relacionados à questão da orientação sexual.


Cisgênero è Identidade de Gênero = Identidade Sexual


13. O que é uma pessoa transgênero? Quais suas necessidades? Como é o seu desenvolvimento? Quais suas diferenças?


R- O conceito de transgênero também está relacionado à identidade de gênero, mas, ao contrário do cisgênero, não existe o alinhamento com a identidade sexual. Exemplificando temos um indivíduo que nasce homem do ponto de vista biológico, tem corpo masculino, se desenvolve como homem, mas suas necessidades e sentimentos são de uma mulher. Transgênero é um termo amplo e abrangente, onde podemos destacar duas diferenças básicas: os transexuais e os travestis.


Transgênero è Identidade de Gênero ≠ Identidade Sexual


14. Quais são as principais dificuldade e lutas dessas pessoas?


R- Os conflitos internos e os problemas psicológicos são resultados diretos da intolerância social que tem seus efeitos agravados em função dos tabus irracionais e preconceitos que induzem, inclusive, à discriminação e violência de gênero.


15. Há diferença entre travesti e transexual?


R- Sim, existem diferenças significativas entre travesti e transexual. O transexual não consegue aceitar o corpo que tem, em especial sua genitália, e busca intervenção médica para tratamentos hormonais e cirurgia de redesignação sexual, que é um procedimento cirúrgico para mudança de sexo.


O travesti, por sua vez, aceita sua genitália e não se submeteria a um processo transexualizador ou cirurgia de mudança de sexo, porém faz tratamento hormonal para mudanças dos caracteres sexuais secundários indesejados tais como como voz, distribuição dos pelos entre outros.


16. Como os pais podem tratar esse assunto com seus filhos? E na escola?


R- Sabemos que muitos pais têm dificuldades em lidar com o universo da sexualidade por questões de tabus vinculados a uma criação rígida alicerçada em padrões sociais equivocados e recheados de preconceitos. Para esses pais recomendamos buscar orientação com profissionais da área da sexualidade para entenderem a forma de lidar com os seus filhos na exata medida do interesse demonstrado pela criança. O importante para todos os pais e/ou responsáveis é ter a consciência de que não se deve deixar as crianças e os adolescentes sem reposta a ponto de eles buscarem tirar suas dúvidas com pessoas despreparadas ou por meios inadequados largamente disponíveis nas redes sociais.

#Identidadedegênero #Homossexualidade #Transsexual #OrientaçãoSexual

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