Terapia sexual - Como sugerir a terapia sexual para seu parceiro


Para responder essa questão é preciso entender o universo masculino e porque eles reagem tão negativamente à ideia de pedir ajuda para tratar de questões sexuais e sobre sexualidade de modo geral. “Primeiramente devemos entender os fatores históricos, sociais e culturais envolvidos nessa questão. Ao longo da evolução humana, os homens sempre foram definidos pelos seus papeis característicos de caçadores, guerreiros, provedores e protetores de suas famílias. A força bruta conferiu ao homem o status de poder sobre as mulheres.

Outro ponto a ser considerado é o fato de que a predominância dos homens como governantes e militares, empresários e líderes religiosos, desempenhou um papel muito importante na determinação da cultura patriarcal machista que vivemos até os dias atuais. A supremacia dos homens raramente foi questionada ou debatida. Muito já se foi feito em termos de hegemonia da mulher, mas a quebra de paradigma exige determinação e persistência, sendo este um trabalho que envolve ambos: homens e mulheres.

Entendendo os aspectos psicológicos – Os fatores culturais e sociais criaram o estereótipo da mulher como sendo um “gênero frágil” diante dos homens, “seus protetores”. Essa visão exerce um impacto expressivo no comportamento masculino. Ainda hoje os homens encontram dificuldades em se adaptar às mudanças que estão ocorrendo nas relações de trabalho, na sociedade e nos relacionamentos resultantes das conquistas por igualdade obtidas pelas mulheres ao longo das últimas décadas. No aspecto dos sentimentos, as dificuldades são ainda maiores porque, frequentemente condicionados pelos padrões machistas estabelecidos socialmente, os homens encontram grandes dificuldades em mostrar certas emoções temendo serem considerados menos masculinos. Nas questões sexuais então, essa dificuldade toma proporções geométricas, sendo comuns encontrarmos casos de traição por simples necessidade de autoafirmação. Os homens podem evitar procurar ajuda até chegar a um ponto de crise, temendo que outros os vejam fracos, só que nesse ponto o tratamento pode se tornar mais complicado, demandando mais tempo para se chegar ao resultado esperado.

A visão do homem como provedor, guerreiro e protetor vem perdendo força, principalmente após os movimentos emancipatórios desenvolvidos pelas mulheres. A emancipação da mulher é fato irreversível, assim como é a do homem perder seu status de “machão” e se igualar às mulheres na condição de ser humano dotado dos mesmos sentimentos, desejos e anseios. Percebam aqui a grande sutileza envolvida nesse processo de quebra de paradigmas: Ao tempo que a mulher sobe um degrau ao “empoderar-se”, o homem desce esse mesmo degrau ao flexibilizar seu status machista, condição necessária para se estabelecer a igualdade de gêneros. Para a mulher esse processo se configura como justa e necessária conquista, mas para o homem significa a perda de uma condição milenar e é exatamente aqui que reside a grande dificuldade do homem (Faço aqui um parêntese porque essa mudança não é prerrogativa somente dos homens - a cultura machista está igualmente arraigada nas mulheres).

O machismo começa lá trás, na criação dos filhos. Crescendo, os meninos sofrem pressão familiar e social para serem difíceis ou “viril”, de acordo com os padrões culturais de masculinidade – ainda hoje ouço expressões que eram usadas na minha infância. Ainda hoje os meninos são encorajados a preferir determinados brinquedos, cores e a realizarem atividades específicas de “homens”. Se as crianças expressarem preferencias destoantes das específicas para meninos e meninas, são desanimados, redirecionados ou mesmo ridicularizados. Incentivar todos os indivíduos, independentemente do sexo, a expressar sentimentos com honestidade, a desenvolver relacionamentos saudáveis ​​com colegas de todos os sexos, e ser atencioso e respeitoso com os outros pode ser mais útil para o desenvolvimento do que encorajar as crianças a se adequarem aos ideais estereotipados baseados no gênero. Agindo assim estaremos dando o passo derradeiro para ressignificar os valores individuais e pôr fim ao predomínio do machismo como determinante social.

Bem, agora que entendemos melhor o que acontece com os homens podemos voltar ao nosso ponto inicial e crucial que é como sugerir a terapia sexual para seu parceiro e mais, como convence-lo a buscar uma terapia sexual. Lembrando que nessa jornada, o exercício da assertividade tanto nos gestos, atitudes e palavras é fator de fundamental importância para a boa comunicação entre o casal.

Já sabemos que os homens são menos propensos a buscar ajuda, especialmente para tratar de problemas sexuais e de relacionamento. É mais difícil para o homem depositar confiança num terapeuta a ponto de abrir seus sentimentos e sofrimentos. Sabemos também que quando encorajados e confiantes eles se empenham ao máximo para alcançar os resultados e fazer o melhor. Mostrar que problemas de depressão, estresse, ansiedade, baixa autoestima, baixo desejo sexual, afetam também os homens e que eles não precisam se envergonhar disso, você o estará encorajando a ser mais capaz de enfrentar os sentimentos, tanto quanto os sofrimentos. Dessa forma ele se sentira fortalecido o suficiente em assumir o compromisso de mudar a situação através de ajuda profissional. A arte da persuasão da mulher nessa hora funciona maravilhosamente bem.

Quando o problema está no relacionamento é importante fazê-lo ver que as barreiras que vocês estão enfrentando na comunicação, problemas de intimidade emocional e física ou outros desafios a serem superados são melhor trabalhados através de técnicas específicas conduzidas por um profissional especializado em sexualidade.

Vencidas essas etapas é hora de buscar um profissional especializado em terapia sexual na saúde e educação e cuja idoneidade, ética, profissionalismo e empatia estejam condizentes com os propósitos do casal. Essa relação de confiança com o terapeuta é necessária para que se possa discutir abertamente as quest