Ponto G e Ejaculação Feminina


Constantemente recebo mulheres em meu consultório perguntando sobre a existência ou não do Ponto G e como fazer para localizá-lo. Outras também comentam sobre a ejaculação feminina, se verdade ou sensacionalismo. Devido ao crescente interesse sobre essas questões, resolvi compartilhar com todas vocês um artigo de Joseph LoPiccolo, renomado professor e chefe do departamento de psicologia da Universidade do Missouri – USA, onde esses assuntos são tratados com muita propriedade e clareza.

O Ponto G é um assunto que se tem escrito e debatido a respeito de uma parte da vagina, por causa do nome do ginecologista que a descobriu. Ernst Graffenburg. Sua teoria foi exaustivamente examinada no livro intitulado The G-Spot de Alice Ladas, Hohn Perry e Beverly Whipple, publicado em 1983.

O Ponto G é descrito como um caroço, que pode ser palpado, na parede anterior da vagina, a uma distância de 2,5 a 5 cm da abertura vaginal. Na fase de excitação sexual, parece que o Ponto G incha e fica bem maior, como o clitóris e os lábios. A teoria sugere que este ponto seria o provável equivalente feminino da próstata masculina. Quer dizer: durante o desenvolvimento intra-uterino, os fetos de ambos os sexos começam num estado de indiferenciação genital; o bulbo original vai com o tempo diferenciando-se em estruturas masculinas e femininas. No entanto, dado que tanto os embriões de sexo masculino como os de sexo feminino começam com o mesmo bulbo genital, parece que pelo menos em algumas mulheres, haja o desenvolvimento parcial de uma glândula semelhante à próstata. Segundo a teoria do Ponto G, na fase de excitação sexual essa glândula aumenta de volume em função do maior afluxo de sangue e do ingurgitamento causado por uma certa espécie de fluido que serve para lubrificação vaginal. A teoria também sugere que, para algumas mulheres, o orgasmo pode resultar numa “ejaculação feminina”, em que haveria uma descarga em jorro desse fluido pela uretra.

Os primeiros trabalhos sobre o Ponto G relataram que algumas mulheres embora provavelmente não todas, tinham, sem sombra de dúvida, essa “próstata feminina” e durante o orgasmo, teriam uma ejaculação. Uma vez que esse fluido sai pela uretra, os pesquisadores logo ressaltaram que essas mulheres não estavam urinando e sim ejaculando. Houve muita preocupação pela possibilidade de o prazer sexual da mulher, sua capacidade de ficar excitada e chegar ao orgasmo, sofrer inibição pela ideia de tal fluido ser urina.

Não existem no momento conclusões taxativas acerca da validade da teoria do Ponto G. Algumas pesquisas têm indicado que existe um tecido prostático nas mulheres e alguns resultados bioquímicos mostram que, em virtude das secreções (enzimas) presentes nesse liquido ejaculado pela mulher, trata-se de um fluido prostático e não urinário. Outras pesquisas, porém, descobriram que se trata de urina e não há secreção prostática no líquido.

Embora até este momento, não se possa dar resposta definitivas parece provável que existam vários tipos diferentes de ejaculação feminina. Sem dúvida, o acervo atual de conhecimentos sobre o desenvolvimento embriônico torna possível e até mesmo provável que algumas mulheres tenham de fato alguma espécie de próstata feminina. Poder-se-ia esperar que, no orgasmo, elas tivessem a descarga de fluido liberada por essa região de sua vagina, líquido esse que não é urina e que seria semelhante a ejaculação do homem. Existem, contudo, três outras possibilidades, no mínimo.

Uma delas é que, mesmo sem o desenvolvimento da próstata feminina, algumas mulheres ejacularão pela uretra algo fluido que não é urina. Existem outras glândulas ao longo da uretra feminina que, durante a fase de excitação sexual, preenchem-se de fluidos que tem a mesma composição que o fluido responsável pela lubrificação vaginal, e que é causado pela maior pressão do sangue nos vasos sanguíneos da pelve, concomitante à excitação sexual. Durante as contrações do orgasmo, este fluido é expelido das glândulas ao longo do trato urinário da mulher e parece como ejaculação.

Uma segunda possibilidade é que algumas mulheres podem ter uma descarga em jorro de uma pequena quantidade de urina quando chegam ao orgasmo. Mesmo depois de terem esvaziado a bexiga, sempre resta um pouco de urina. Durante contrações orgásmicas muito fortes, os músculos que rodeiam a vagina e o colo da bexiga podem espremer para fora a pequena urina residual. Muitas pessoas não sabem que a urina é estéril quando a pessoa está saudável. Ter uma pequena quantidade de líquido estéril no orgasmo certamente não precisa ser um grande problema e não é forçoso que iniba o prazer sexual. Para as mulheres, neste caso, sugerimos simplesmente que ponham uma toalha na cama e que, depois do ato sexual, coloquem-na para lavar.

A terceira possibilidade é que a lubrificação vaginal sai em jorro para as mulheres com bastante lubrificação vaginal, devido à contração dos músculos em volta da vagina durante o orgasmo. Devido à proximidade do meato uretral, orifício por onde sai a urina, com o introito vaginal, é bem difícil, tanto para a mulher assim como para o homem, identificar se essa ejaculação origina-se da uretra ou da vagina.

Independente do fluido ejaculado no orgasmo, por essa reduzida porcentagem de mulheres, ser urina, fluido prostático, fluido das glândulas uretrais ou lubrificação vaginal, o fato não precisa forçosamente ser considerado inibidor da sexualidade feminina. Aliás, alguns casais sentem que essa resposta da mulher faz parte da sensualidade do orgasmo. O único caso que precisa de fato preocupar a mulher é a presença de outros sintomas concomitantes à ejaculação: a incapacidade de esvaziar a bexiga quando o deseja, o vazamento de urina quando tosse, levanta-se de repente ou pratica outros movimentos energéticos. Nessas circunstâncias, ela deve procurar seu médico para um exame. Contudo, uma mulher que não apresente outros problemas de controle urinário e que tem uma discreta descarga de liquido no orgasmo não precisa necessariamente se considerar portadora de algum tipo de problema. Aliás na realidade, essas mulheres costumam ter músculos pélvicos muito fortes e experimentam intensas contrações orgásmicas que “esguicham” ou espremem um pouco de fluido.

Outra controvérsia diz respeito à noção de que o Ponto G é especialmente sensível e facilita um maior prazer sexual se for estimulado diretamente. Alguns teóricos chegaram inclusive a sugerir que a estimulação dessa zona pode ser muito eficaz no sentido de levar a mulher a ter orgasmos com a penetração.

Não há dúvida de que muitas mulheres descrevem sensações melhores em certas partes da vagina e não em outras. No entanto, segundo experiências, variam de mulher para mulher a localização exata dessas zonas. Para algumas, está nos primeiros três centímetros, mais ou menos, da parede anterior da vagina. No entanto, isso pode ser por causa do clitóris e dos nervos envolvidos na estimulação clitoriana encontrados nessa parece, e não tanto por causa de um provável Ponto G.

A controvérsia em torno do Ponto G tem, sem dúvida, algo a nos ensinar. Os meios populares de divulgação e as revistas apresentaram a teoria do Ponto G como se fosse um fato científico indubitável e os sexólogos, ginecologistas, terapeutas têm recebido em consulta mulheres preocupadas por não terem um Ponto G. Conforme citações existem várias explicações possíveis para a questão da ejaculação feminina e para a questão de áreas particulares da vagina que dão melhor sensação do que outras. Em sua proposta de crescimento e descoberta da própria sexualidade, é importante que você formule o que é realidade em seu caso, e não o que a mídia promulga como ”fato” presumido.

#PontoG #EjaculaçãoFeminina #Orgasmo #Lubrificaçãovaginal #Desejo

Posts Em Destaque