Empoderamento da Mulher


Empoderamento significa tomar posse do que há de melhor em si, evocando suas forças num ritmo de motivação constante, sustentada pela visão clara de onde quer chegar e o que se quer alcançar. Como dizia Gonzaguinha “Viver é não ter a vergonha de ser feliz – Sonhar, sonhar e sonhar”. O dicionário Michaelis Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa, conceitua a palavra “empoderamento” como sendo um ato que envolve a conscientização dos direitos individuais e tomada de poder de influência de uma pessoa para que haja a consciência coletiva necessária à realização de mudanças de ordem social, política, econômica e cultural para superação da vulnerabilidade no contexto que lhe afeta.

O empoderamento da mulher reflete, acima de tudo, o enfrentamento ao preconceito e discriminação de gênero impostos por uma sociedade patriarcal machista que, em pleno século XXI, persiste na visão equivocada da submissão da mulher perante o homem. Porém esse enfrentamento não se expressa sob a forma de manifestações públicas e/ou movimentos reivindicatórios característicos dos movimentos feministas, que tem na igualdade de gênero seu objetivo central. O empoderamento da mulher visa ampliar essa busca através da equidade de gênero, tendo na conscientização de si mesma a valorização da sua atuação nos vários núcleos ou grupos sociais em que está inserida, seja no âmbito familiar, escolar, religioso, político e profissional como um direito humano básico. O empoderamento feminino se expressa através do exercício pleno da sexualidade como aspecto inerente à personalidade do ser humano. Nessa trajetória não podemos deixar de considerar os componentes sociais intrínsecos à cultura machista que perdura até os dias atuais, porque não é prerrogativa somente dos homens. A cultura machista está igualmente arraigada nas mulheres.

Neste aspecto é importante entendermos os fatores históricos, sociais e culturais envolvidos nessa questão. Ao longo da evolução humana, os homens sempre foram definidos pelos seus papeis característicos de caçadores, guerreiros, provedores e protetores de suas famílias. A supremacia do homem se consolidou culturalmente no tempo, cabendo a eles os cargos de poder, seja como governantes empresários ou líderes religiosos e à mulher coube o papel de “bela, recatada e do lar” e raramente foi questionada ou debatida. É muito importante a mulher se conscientizar que a quebra de paradigmas exige determinação e persistência, sendo este um trabalho que envolve tantos os homens como nós mulheres.

A visão do homem como provedor e protetor já não se enquadra mais no contexto social atual, principalmente após os movimentos emancipatórios desenvolvidos pelas mulheres. A emancipação da mulher é fato irreversível, assim como é a do homem perder seu status de “machão” e se igualar às mulheres na condição de ser humano dotado dos mesmos sentimentos, desejos e anseios. Ressignificar valores é um processo que requer perseverança e determinação e, acima de tudo, educação de base. A criação e educação dos filhos já não pode mais se sustentar nos padrões machistas utilizados até então.

Acho importante ratificar o entendimento equivocado de se encorajar os meninos a preferir determinados brinquedos, cores e a realizarem atividades específicas de “homem”. Se as crianças expressarem preferencias destoantes das específicas para meninos e meninas, são desanimados, redirecionados ou mesmo ridicularizados. Incentivar todos os indivíduos, independentemente do sexo, a expressar sentimentos com honestidade, a desenvolver relacionamentos saudáveis ​​com colegas de todos os sexos, e ser atencioso e respeitoso com os outros pode ser mais útil para o desenvolvimento do que encorajar as crianças a se adequarem aos ideais estereotipados baseados no gênero. Agindo assim estaremos dando o passo derradeiro para ressignificar os valores individuais e pôr fim ao predomínio do machismo como determinante social.

Não só no núcleo familiar devem estar concentrados os esforços para as mudanças de paradigmas com o objetivo de se estabelecer a equidade de gênero. Empoderamento da mulher significa também promover a equidade e igualdade de gênero em todas as atividades sociais e econômicas. A mobilização social, através dos seus vários seguimentos, é de fundamental importância para a mudança dos padrões culturais fortemente baseados numa estrutura patriarcal machista.

Tem-se, portanto, que a influência dos padrões sociais no desenvolvimento do empoderamento da mulher ganha contornos importantes ao considerarmos nossa característica eminentemente social como seres humanos o que nos leva a não conseguir viver sozinhas, isoladas do convívio social. É em sociedade que desenvolvemos nossos aspectos sociais, somáticos, intelectuais e emocionais. São nos vários núcleos ou grupos sociais aos quais pertencemos (familiar, escolar, religioso, profissional, político) que desenvolvemos nossa personalidade, estabelecemos vínculos e relacionamentos interpessoais. É através desse convício que expressamos nossa sexualidade e interagimos socialmente, fisicamente e psicologicamente com o meio e com as pessoas.

A quebra da harmonia dessa cadeia biopsicossocial impacta negativamente na sexualidade da mulher, destrói sua autoestima e desencoraja o empoderamento. Como a autoestima é desenvolvida ao longo da vida e, em grande parte, é fruto do aprendizado do convívio social, saber trabalhar os “autos” e “baixos” da vida significa treinar constantemente a autoconfiança, autoaceitação, autoexpressão, autoafirmação, autorrealização, autoaprovação, autoaceitação. Sabemos que o empoderamento independe de classe social, raça, religião, idade ou contexto social. Portanto, para ser empoderada é essencial a mulher trabalhar sua autoestima, uma vez que o empoderamento cresce à medida que se fortalece a autoimagem. Dessa forma a mulher será capaz de vencer seus medos, controlar a impulsividade e frear ansiedade ampliando, assim, sua capacidade de lidar com os problemas, superar as adversidades e resistir às pressões das situações estressantes.

#Empoderamento #Ressiginificar #Enfrentamento #Seamar

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