Como Resgatar a Intimidade


Muitos casais chegam em nosso consultório com problemas sérios de relacionamento, alguns em vias de separação, mas as queixas são sempre as mesmas: perda da intimidade, falhas na comunicação, distanciamento, discussões e a sensação de que a relação está próxima ao fim. É comum ouvir:

“Amo o meu marido, ele é bonito, atraente, nos damos bem, temos uma ótima vida social, nossos filhos estão grandes, mas com relação ao sexo me sinto culpada, pois parece que eu morri da cintura para baixo”.

“Eu sei que meu marido não tem outra, mas ele não me procura mais, sinto que ele não tem mais desejo por mim”.

“Existe amor e uma linda história de cumplicidade, mas hoje o sexo se transformou em obrigação para ficar tudo bem. Não está dando mais para aceitar, conversar não adianta mais, só uma ajuda de fora para nos ajudar”

“Passei tanto tempo administrando o lar e cuidando dos filhos que hoje me vejo sozinha com meu marido e na hora do sexo não sei por onde começar”

“Quando ela chega em casa traz os problemas do trabalho junto, está sempre ‘emburrada’. Se vou dar um beijo ‘não, estou suada’ ela retruca. Se faço um carinho ‘você só pensa em sexo’. Eu amo minha mulher, mas tudo é motivo para brigas”.

Também recebemos casos em que um romance extraconjugal foi descoberto através de mensagens de WhatsApp.

Se algum desses casos lhe parece familiar, se a harmonia do seu relacionamento dá sinais de desgastes, se você ou o seu par não consegue manifestar seus desejos íntimos e falar com naturalidade sobre fantasias e preferências sexuais, leia atentamente esse texto até o final e não hesite em procurar ajuda de um profissional especializado na área da sexualidade.

É muito importante entendermos que nos relacionamentos, principalmente os de longa data, é comum aos casais, independentemente de gênero, apresentarem diminuição ou perda da apetência sexual, em terapia sexual esse processo disfuncional é tratado como desejo sexual hipoativo–DSH por habituação, ou seja, a apetência vai minguando, se diluindo no desgaste diário do contato permanente. O entusiasmo dos primeiros tempos vai sendo substituído por uma amizade cada vez mais assexuada. O tempo se encarrega de deixar marcas no corpo, destruindo ou desgastando os atrativos sexuais.

Nesse caso o casal pode estar adequado do ponto de vista psicológico, estando ambos satisfeitos do ponto de vista pessoal. Também pode haver adequação perfeita coexistindo com um estado de dupla disfunção. Um exemplo seria um casal onde o homem tenha uma disfunção erétil e a mulher apresente DSH pós climatério. Ambas disfunções resultam numa adequação sexual que permite ao casal manter um relacionamento estável.

Ocorre, porém que um dos pares pode apresentar insatisfação com a sexualidade e/ou com o comportamento do parceiro. Nesse caso ele estará inadequado sexualmente, fato que acarretar sofrimento interpessoal e consequente desgaste no relacionamento. A assertividade na comunicação cede espaço aos conflitos e a monotonia e a perda da atratividade se fazem presentes. Desamor, infidelidade e lutas pelo poder passam a ser manifestações comuns nessa fase. Terapeuticamente dizemos que esse relacionamento está doente e o casal passa a ser a unidade terapêutica. Sob pena de ruptura da relação.

Esse descompasso conjugal está presente em grande parte dos casais, independentemente do tempo do relacionamento. Na maioria dos casos esses problemas se somam ao desconhecimento do próprio corpo e das sensações erógenas a ele inerente. Uma percepção distorcida da imagem corporal gera uma imagem negativa sobre si mesma e, ao se convencer que somente as outras pessoas são atraentes, nos convencemos que o nosso corpo passa a ser resultado de um fracasso pessoal. Sentimentos de vergonha, ansiedade, baixa autoestima e mesmo depressão acumulam-se num estado de isolamento social.

Como se não bastasse ainda recebemos forte influência dos aspectos religiosos e/ou educação familiar rígida, alicerçadas por costumes sociais baseados em tabus e preconceitos que, por si só, são fatores limitantes da nossa saúde sexual.

A discrepância dos valores desenvolvidos nesses ambientes desencadeia distúrbios psicológicos que retroalimentam negativamente nossa interação social ao produzir conflitos intrapessoal e interpessoal, além de favorecer o desenvolvimento de distúrbios psicofisiológicos desencadeadores de outras disfunções sexuais, além da baixa do desejo.

Resgatar a intimidade requer trabalhar a saúde sexual dentro de um contexto mais amplo e cuja abrangência envolve também os fatores psicológicos e sociais. A resposta sexual tem uma base biológica essencial, embora, em geral, seja vivenciada em um contexto intrapessoal, interpessoal e cultural. Dentro desse contexto a atratividade passa a exercer papel fundamental para a qualidade da saúde sexual e deve ser trabalhada com o apoio de um profissional especializado para que seja possível a recuperação do desenvolvimento saudável da sexualidade e, dessa forma, ser possível regatar a intimidade partilhada, sem a obrigação dos desempenhos sexuais preestabelecidos.

É importante considerar que o ato sexual é basicamente uma atividade sensorial onde predominam as sensações auditivas, olfativas, visuais e táteis”, assim o terapeuta sexual se utiliza de técnicas voltadas para o desenvolvimento das percepções sensoriais que, além de possibilitar a transformação do encontro erótico em um momento de descoberta do outro e de si mesma através da estimulação dos órgãos dos sentidos e sensações táteis, possibilita recuperar a sensibilidade perdida ao resgatar os sentidos endurecidos ao longo do tempo. O foco nas sensações atua como um antídoto, desintegrando essa armadura sensorial propiciando o resgate da energia interior que motiva encontrar o amor, o contato e a intimidade. Mas para isso é imprescindível que o casal esteja aberto às linhas da comunicação na intimidade.

Então vamos arregaçar as mangas e colocar em prática quatro segredos para o sucesso da intimidade maravilhosa no relacionamento:

  • Assertividade – Significa manter uma atitude positiva em relação ao outro – não tem relação com o estar certo ou errado. Passo para meus clientes que eles devem manter uma assertividade GAP, que na verdade são os Gestos, Atitudes e Palavras que fazem toda a diferença na relação.

  • Autoestima e autoimagem – Se a mulher aceita o seu corpo, não se ama e se valoriza, como a intimidade será ampliada?

  • Autoconhecimento – Para se ter intimidade a mulher tem que conhecer o seu próprio corpo e saber exatamente onde e como receber as carícias que lhe despertem maior desejo e prazer.

  • Empatia – Saber se colocar no lugar do outro é abrir as portas para uma intimidade maravilhosa.

Ao abordar a questão dos problemas da intimidade no relacionamento e apontar a terapia sexual como recurso fundamental para recuperação da harmonia conjugal, temos a plena convicção de estar proporcionando a muitos casais que se encontram nessa situação a possibilidade de retomarem o pleno desenvolvimento da sexualidade e a recuperação da saúde sexual fundamentalmente importantes para o compartilhamento de uma vida conjugal saudável e duradoura.

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